sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Jesus Histórico. Uma Brevíssima Introdução - Leonardo Chevitarese e Paulo A. Funari

Sai do Mundão

Essa resenha que trago hoje, foi um estudo que tive na Faculdade de História da UERJ – FFP, me chamou muito a atenção como academicamente para ciência, Jesus já é reconhecido como uma figura que existiu, que esteve na terra (o grande debate mesmo são os seus milagres, não sua existência), espero que vocês gostem dessa resenha do livro Jesus Histórico - Uma Brevíssima Introdução, dos autores André Leonardo Chevitarese (Professor Titular do Instituto de História da UFRJ) e Pedro Paulo A. Funari (Arqueólogo e professor de História Antiga da Unicamp) Poucos personagens históricos têm tanta repercussão por tanto tempo, como Jesus de Nazaré, cerca de mais de dois bilhões de pessoas, professam a fé cristã e se reportam, portanto ao homem de Nazaré, no Brasil mais de 150 milhões declaram-se cristãos. Este livro procura mostrar como Jesus de Nazaré, o homem que viveu há dois mil anos, um personagem histórico, pode ser estudado e conhecido, a confissão cristã não influiu na pesquisa sobre Jesus Histórico, mas a meta do livro é mostrar o que se sabe e quais as discussões, por parte de estudiosos, sobre a vida de Jesus.

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A História se faz com documentos, o passado já não existe e apenas podemos conjecturar a seu respeito por meio de testemunhos, diretos ou indiretos, materiais ou materiais. No caso de Jesus de Nazaré, há tipos de fontes: os manuscritos do Novo Testamento; as escavações arqueológicas; as descobertas de Qumran (manuscritos do Mar Morto) e de Nag Hammadi, no Egito; os escritos judaicos; e fora os testemunhos de fora do ambiente judaico-cristão. Os Evangelhos são relatos da vida de Jesus e constituem a fonte primária para o nosso conhecimento do nazareno, o livro de Marcos, o mais curto é considerado o mais fidedigno e Marcos, Lucas e Mateus são chamados de sinóticos, que em grego significa “com a mesma visão”, pois seus relatos são paralelos e seguem fontes comuns, já o Evangelho de João segue caminhos próprios. As Cartas de Paulo são os mais antigos documentos que sobreviveram, não há evidencias que Paulo tenha conhecido pessoalmente Jesus, por isso, pouco nos fala sobre a vida do nazareno. Jesus falava o aramaico, uma língua semita, apresentada ao hebraico, a alfabetização não era expandida e a maioria das pessoas era analfabeta e a maioria que dominava a escrita nela não se fiavam para se lembrar do que liam, as pessoas decoravam tendo lido ou ouvido um texto, e podiam reproduzir longas passagens.
Muitos estudiosos modernos ponderam que o que se chama de sinagoga, palavra grega, representa, no caso de uma aldeia de 300 pessoas, como Nazaré, apenas uma casa usada para reunião da comunidade. Aliás, sinagoga em hebraico, beit Knesse, significa casa de reunião. Quem escreveu o Evangelho de Lucas, não conhecia de primeira mão as comunidades galileias e, assim difundia detalhes na narrativa, que refletiam a realidade das cidades gregas na qual se difundia o cristianismo. A vida de Jesus foi escrita décadas depois de sua pregação, de início tudo era lembrado e contado em aramaico, apenas oralmente, pelos primeiros seguidores analfabetos de Jesus, contudo não foram eles que escreveram os Evangelhos, foram falantes de língua grega que não tinham conhecido Jesus pessoalmente, apenas o Cristo após a Ressurreição. Toda a memoria sobre a vida de Jesus foi confirmada pela crença da ressurreição de Jesus e na sua divindade, não sabemos da existência de escritos em aramaico com ditos relatos da vida de Jesus, o que parece mais seguro é a existência de textos com recordações de Jesus traduzidas para o grego, em um momento que a nova fé começou a expandir-se fora da comunidade judaica da Palestina.

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A arqueologia estuda a cultura material, os artefatos feitos ou transformados pelo ser humano e contexto natural e ambiental associado a vida humana. Os restos arqueológicos têm sido muito significativos para o conhecimento da sociedade à época de Jesus, algumas descobertas confirmam o relato do Novo Testamento e dão detalhes sobre personagens, circunstâncias e situações mencionadas no texto bíblico. As principais são: Gamla e Jodefat (aldeias judaicas à época de Jesus); Séforis e Tiberíades (à época de Herodes Antipas); Cesareia Marítima e Jerusalém (à época de Herodes, o Grande); Massada e Qumram e a resistência judaica à ocupação romana; Vasos e banheiras rituais (os rituais judaicos); O ossuário do sumo sacerdote José Caifás; A inscrição do prefeito Pôncio Pilatos; A casa do Apóstolo Pedro, em Carfanaum; O barco de pesca do Mar da Galileia; O esqueleto do crucificado Iehokhanan. As cinco primeiras descobertas arqueológicas são coletivas e informam-nos sobre os ambientes frequentados e as situações da época de Jesus, já as cinco últimas iluminam aspectos da vida do nazareno.
Jodefat e Gamla revelam como era a vida na Galileia, não havia muito contato de seus moradores com o mundo romano e mesmo com Jerusalém e o Templo, a cidade de Séforis a 7km de Nazaré ainda que não mencionada no Novo Testamento revela outra realidade: uma cidade com teatro, aqueduto e mosaicos dionisíacos, sua população convivia com costumes de origem grega ou romana, Tiberíades, citada no texto bíblico também revela essas características e demonstra que Jesus conviveu com esses ambientes mais cosmopolitas e mesclados. Os achados arqueológicos específicos comprovam diversos detalhes do relato evangélico, o ossuário de Caifás, a inscrição de Pilatos mostram que esses personagens realmente existiram, o local da casa de Pedro, assim como o barquinho do Mar da Galileia referem-se aquele ambiente simples de pescadores no qual Jesus atuava e o esqueleto de um crucificado mostra que um homem teve o pé pregado a cruz algo que é atribuído pela tradição a crucificação de Jesus e que não se sabe de fato se era uma prática.

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Um dos achados arqueológicos mais importantes foram os manuscritos encontrados no Mar Morto, Escrita em uma comunidade constituída por volta de 150 a.C, os pequenos números de pessoas copiaram a Bíblia Hebraica e escreveram sobre uma guerra apocalíptica, assim como um manual para essa guerra e comentários ao texto bíblico, Jesus vivia e pregava em ambientes muito diferentes dessa comunidade, mas em comum, havia a percepção de que o fim do mundo estava próximo e que seria restaurada a justiça. O historiador judaico-romano Flávio Josefo, em sua Guerra Judaica menciona a existência de diversos grupos no interior da sociedade hebraica da palestina (Os saduceus, os fariseus, os essênios, sicários, zelotes e profetas escatológicos). As descobertas em Nag Hammadi no Egito trouxeram a luz documentos cristãos ditos gnósticos revelando a existência de judaísmo na Palestina e contato com o hebraísmo helenístico e uma preocupação com a preservação da palavra (logia), outras fontes importantes são escritos do judaísmo antigo, em particular os comentários conhecidos como Midrash, assim podemos comparar as falas de Jesus com passagens do Midrash. Na literatura greco-romana a poucas referências a Jesus datadas do primeiro século, a mais importante delas é um trecho de Flávio Josefo.
O Evangelho de Marcos não menciona nada sobre a infância de Jesus, pois sua narrativa começa no batismo do Jordão, isso significa que seus seguidores imediatos teriam poucas informações sobre a vida pregressa de Jesus ou consideravam pouco importante tudo que antecedeu o encontro com o movimento batista. O mesmo pode se dizer do Evangelho de João, que também inicia seu relato da vida de Jesus com João Batista, uma curiosidade importante em aramaico a palavra “aha” era usado para designar um irmão como um primo (por isso os católicos acreditam que Maria se mantéu virgem para sempre), mas em grego, o termo usado é “adelphos” que se restringe ao irmão de sangue (então provavelmente Jesus teve irmãos, assim como a Bíblia cita). Na Palestina na época de Jesus, multiplicavam-se os movimentos sociais, de caráter religioso, os camponeses, artesãos e pobres em geral se opunham a opulência dos sacerdotes e hierarquias ligadas ao Templo de Jerusalém, Flávio Josefo menciona João Batista e sua morte, provavelmente no ano 28, sua pregação tinha caráter popular e o povo além de acorrer ao profeta, interpretou o rei e as elites como impuras, Jesus e alguns discípulos pertenceram a esse movimento Batista, como André e Pedro. Tudo indica que houve um abandono, após algum tempo, da prática de batismo por parte de Jesus e seus seguidores, Jesus será, um pregador muito diferente de João Batista, Jesus ainda em vida era conhecido como “emissário divino”, era chamado de “Nabi”, traduzido para grego (e depois para português) como profeta.

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A palavra significa literalmente, borbulho, aquele que fala como se borbulhasse, como se a fonte das suas palavras fosse Deus, que borbulhava as palavras na boca daquele emissário, um transmissor. Sua mensagem inseria-se na linha dos antigos profetas de Israel, como um profeta itinerante, que se poderia caracterizar como carismático, o próprio termo carisma deriva da palavra grega “Kharis”, que quer dizer “graça, favor”, no entanto, a expressão usada para se referir ao carisma de Jesus era “exousía”, traduzido como “autoridade”. De qualquer modo, esse carisma exercia-se por meio das falas de Jesus, caracterizou-se por frases simples, diretas e cortantes; pelos discursos que emanavam autoridade voltados aos pobres; pelas parábolas que se fundavam na vida cotidiana dos mais simples. Flávio Josefo disse que Jesus era um “fazedor de coisas extraordinária” e os Evangelhos reportam 27 “milagres”, a palavra milagre deriva do latim, Jesus e seus seguidores não falavam latim e, tampouco, temos os termos aramaicos originais, nos Evangelhos aparecem diversos termos traduzidos por “milagres” cada um com as suas características e possíveis correlações com os possíveis termos originais em aramaico. Em todos os casos, sinais, prodígios e milagres, as ações extraordinárias foram parte da pregação de Jesus e estavam associadas a um poder superior, demoníaco para seus detratores (inimigos), divino para os seus seguidores.
Saduceus, fariseus ou essênios, instruídos e cultos, não se deixavam seduzir por manifestações miraculosas e não gostavam delas, o poder deles advinha do controle das Escrituras e da observância de regras e normas, o Poder de Deus, manifestado em atos prodigiosos, fugia inteiramente do controle deles e era percebido como uma ameaça, tanto à autoridade desses grupos, como às suas doutrinas voltadas para a letra da Lei. Já para as pessoas comuns, ao contrário, havia uma sede de cura, ao lado das palavras os gestos completavam a figura de líder popular e selavam seu destino. As informações sobre os últimos dias de Jesus resumem-se ao que escreveram seus seguidores, nos Evangelhos, e, já muito depois, aos relatos de seus opositores, a morte de Jesus é citada na Talmude da Babilônia (Sinédrio 43ª), porém parece mais provável que o relato seja posterior a difusão do cristianismo e não uma tradição judaica. A narrativa dos Evangelhos mostra a entrada de Jerusalém como decisiva, a cidade era cosmopolita e vivia essa contradição de tradição profética e o afastamento de Deus, por parte dos sacerdotes e seu séquito, a entrada de Jesus em Jerusalém em plena Páscoa, sinalizava um confronto mais direto, bem marcado pela expulsão dos vendilhões do Templo. Estava clara a contraposição entre uns e outros, o poder de condenação do sinédrio era limitado, no entanto sabemos que era muito fácil matar alguém que não era de cidadania romana, protegida pela lei, o sinédrio, contudo, remeteu Jesus a autoridade romana Pilatos, que o condenou à morte.

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Do ponto de vista dos seguidores de Jesus, a responsabilidade primária era da liderança judaica. Constatada a morte, foi concedido que o corpo fosse retirado da cruz e sepultado, tratou-se de algo excepcional, pois os romanos costumavam deixar os corpos sem sepultá-los. Para conhecermos o Jesus Histórico, além das fontes, contamos com reflexões modernas, quando lemos os Evangelhos, não o podemos fazer sem a mediação dos estudos que nos condicionam o olhar. Jesus não era estudado como uma figura histórica no sentido moderno, implica dizer que os não-cristãos tinham pouco ou nenhum interesse nele e os cristãos observavam as narrativas bíblicas como lembranças estritamente históricas da sua vida. Desde o início do século II, um problema incômodo foi colocado: os quatro evangelhos apresentavam quatro diferentes narrativas sobre a vida de Jesus e elas nem sempre pareciam concordar em suas histórias sobre ele. Taciano, um cristão da Mesopotâmia, propôs uma narrativa continua dos quatro Evangelhos, conhecida pelo nome Diatessaron (ou “Quatro em um”), a versão siríaca substituiu os quatro evangelhos individuais em algumas igrejas, Martinho Lutero, confrontado pelo mesmo problema, ponderou que se deveria abandonar tais questões. Um segundo objetivo consistiu na superação do contraditório, visava-se a estabelecer uma narrativa que superasse as possíveis contradições dos evangelistas. É justamente no final do século XVIII, que ocorre o início das biografias de Jesus, os autores embarcaram no que ficou conhecido como a “Primeira Busca pelo Jesus Histórico”, eles foram além da produção de harmonias evangélicas, e passaram a escrever as chamadas “Vida de Jesus”, das centenas de biografias produzidas durante o século XIX, quatro merecem destaque por suas semelhanças, diferenças e influências posteriores a começar pela obra de Hermann Samuel Reimarus; a obra de Heinrich Eberhard Gottlob Paulus; a obra de David Friedrich; e a obra de Ernst Renan.
Pode-se estabelecer um balanço dessas inúmeras biografias da vida de Jesus, é possível detectar percepções favoráveis ou desfavoráveis sobre o nazareno, há uma posição cética em relação as narrativas dos milagres e elas inseriam visões, percepções e conjecturas razoáveis, aos pontos questionáveis das narrativas evangélicas. Verifica-se, na primeira metade do século XX, um grande ceticismo quanto à possibilidade de se analisar a figura de Jesus por uma perspectiva histórica, nesse momento essas biografias vão sofrer rigorosas críticas por parte dos pesquisadores, para os não-cristãos, o Jesus da História seria uma fraude, para os leitores cristãos, havia uma forte tendência em concordar com o que o autor determinava como “vida”. Um erro dessas biografias foi deixar o aspecto apocalíptico e messiânico de lado, foi constatado numerosos ditos de Jesus relacionados às coisas futuras e, portanto, refletiam a preocupação escatológica de Jesus, essas falas pertenciam ao estrato mais antigo e melhor preservado e esse material está muito mais próximo do Jesus da História e lhe parecia consistir na face mais próxima do personagem histórico de Nazaré. A crença de Jesus na escatologia é chave para entender tudo o que ele disse e fez em vida, o Jesus histórico é para nossa época um estranho e um enigma, o melhor seria deixa-lo quieto, mas do ponto de vista da História, a única coisa relevante é que Jesus realmente existiu, o que ele fez e como o fez não interessa. Tanto assim que o apóstolo Paulo não estava interessado no Jesus da História, mas apenas no Cristo Salvador.

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Assim é possível estabelecer um balanço historiográfico para a primeira metade do século XX, onde a busca do Jesus Histórico era impossível e desnecessária, nesse sentido, as narrativas bíblicas, do Antigo e do Novo Testamento, não costumam ser vistas do ponto de vista da exatidão histórica, o que importa é o Jesus ressuscitado, não o Jesus Histórico. Em 23 de outubro de 1953 o assunto Jesus Histórico voltou a ter relevância com uma conferência denominada “O problema do Jesus Histórico”, esboçando dois importantes argumentos: A teologia sobre Jesus deve estar baseada na realidade histórica, em caso contrário, Jesus pode ser utilizado para sustentar qualquer base de pensamento, inclusive as mais radicais e anti-humanistas. Nesse contexto, torna-se metodologicamente possível esboçar as bases históricas para se situar o Jesus Histórico, dando início ao que foi chamado de “Segunda Busca do Jesus Histórico”. Duas obras que se destacavam nessa época era “Jesus de Nazaré” de Günther Bornkamm e a segunda obra é de Norman Perrin sobre os ensinamentos e linguagem de Jesus; E nada poderá ser afirmado como autêntico, a não ser que esteja absolutamente certo. As pesquisas tenderam a enfatizar o ensino de Jesus sobre as suas ações, o ceticismo em relação a historicidade dos milagres e aos eventos sobrenaturais permaneceu como um legado do Iluminismo, Jesus passou a ser lido no interior do Judaísmo palestino do século I, buscou-se analisar um aspecto específico, ao invés de se estabelecer uma grande hipótese que pudesse explicar tudo, com isso jogava-se por terra a possibilidade de se escrever uma biografia de Jesus.
Constata-se um “booom” nas pesquisas relacionadas ao Jesus Histórico no final do século XX, podendo ser considerada a “Terceira Busca do Jesus Histórico”, um grupo de pesquisadores se juntaram e criaram O Seminário de Jesus em 1985, com o propósito de analisar Jesus como uma figura histórica, buscou estabelecer de imediato, uma lista numerada de tudo que Jesus é reportado ter dito em qualquer documento até o ano 300, a tarefa seguinte era examinar esses ditos e determinar se eles eram ou não historicamente autênticos, após 6 anos, o grupo completou essa fase do programa e publicou seu resultado em um livro chamado “Os Cinco Evangelhos”, tiveram muitas palavras autenticadas e muitas palavras tiveram sua autenticidade questionada, todo esse primeiro período foi caracterizado por um esforço para determinar o que Jesus poderia ter dito.

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Em seguida, voltou-se a atenção para a investigação das proposições concernentes à vida de Jesus e à obra de Jesus, assim os pesquisadores poderiam olhar para os eventos históricos, sem afirmar que algo sobrenatural aconteceu, o que se considerava é que as pessoas acreditavam no sobrenatural, o grupo terminou essa fase do programa em 1998 publicando o livro chamado “Os atos de Jesus. A busca pelo verdadeiro Jesus”, essa obra traz todas as histórias do Evangelho sobre Jesus que refletiam sua realidade como narrativas históricas. O grupo de pesquisadores publicou um terceiro livro chamado “Jesus, o homem”, cujo o objetivo foi descrever o mundo político e histórico do homem Jesus, tal como o próprio Seminário de Jesus o vê: a sua família e como discípulo de João; a sua rejeição à vida ascética e à mensagem apocalíptica da vinda de um julgamento iminente, o reino como uma realidade aqui e agora. Através das analises do Seminário de Jesus é possível observar que as atuais pesquisas em torno do Jesus Histórico ampliaram consideravelmente as suas bases teórico-metodológicas, inserindo novas percepções advindas do campo da Sociologia, Antropologia, História e Arqueologia.
Para além do Seminário de Jesus, outros estudiosos e abordagens têm se destacado, diversos deles em nosso idioma, uma característica dessa literatura é o esforço por uma compreensão racional de Jesus, alguns tem destacado o caráter judaico de Jesus e tem explorado, também, a crescente documentação arqueológica. Em todos os casos nota-se a preocupação com a relevância do Jesus Histórico para a compreensão da nossa época, tanto no sentido de evitar o seu uso antissemita, como na luta contra a opressão e as injustiças sociais, ancoradas, contudo, em uma busca racional, tanto do Novo Testamento, como das novas descobertas. O Jesus de Nazaré continua a fascinar crentes e não-crentes, admiradores ou críticos, por mais de dois séculos, estudiosos e pessoas comuns voltaram-se para essa figura, nos primeiros momentos Jesus causou espanto, com o passar do tempo, e conforme o interesse pelo Jesus Histórico crescia a luta antirreligiosa arrefeceu, procurou-se entender o contexto histórico, as situações humanas e socias vivenciadas pelo nazareno e seus seguidores, nunca essa busca afastou-se da inquietação do presente, no momento em que vivemos, Jesus continua mais atual do que nunca. O processo que transforma Jesus em Deus é explicado mais pela história da teologia cristã, do que pela vida de Jesus, se a teologia tornou sua natureza humana e divina indivisível, a História insistiu em vê-lo apenas como um ser humano.

Referência Bibliográfica

CHEVITARESE, A. L. ; FUNARI, P. P. A. . Jesus Histórico. Uma Brevíssima Introdução. Rio de Janeiro: Editora Kline, 2012. 76p.

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