“O Deus Cristão não pode ser Domesticado”. Uma tentação constante que cerca a vida cristã é a inversão do chamado: a presunção que Deus precisa abençoar o meu caminho e me seguir em meus planos e sonhos. Essa postura é enganosa e faz parecer que Deus só é fiel quando me abençoa. Mas e se Deus derrubar o meu sorvete, ele deixa de ser fiel? Claro que não. Às vezes, ele só quer chamar a minha atenção para o caminho certo. Eu já testemunhei gente adulta se comportando como criança por não ter a vida que pediu a Deus. Pediu errado! Neste livro, é apresentado o caminho do discipulado, o caminho para “sonhar” o que Deus já planejou.
Bibo começa seu livro, em seu capítulo de introdução, intitulado “Quem é o seu Deus?”, abordando a chamada Teologia Good Vibes, na qual não é preciso sacrificar nada pelo Evangelho, mas sim apenas ser abençoado por ele. Bibo denuncia essa mania do cristão de fazer de Deus um “gênio da lâmpada” que concede os desejos do nosso coração, não aceitando os “nãos” de Deus nem a vontade d’Ele sobre a nossa. A realidade é que queremos impor a nossa vontade sobre a de Deus, impor os nossos sonhos sobre os d’Ele. Deus se tornou um ser para cumprir as nossas vontades, e não o nosso Deus soberano. O livro é claro quanto a isso em todos os momentos, denunciando esse defeito da Teologia Good Vibes. Compartilho da frase do livro de que a oração do Pai Nosso é a mais perigosa de ser feita, pois ela destrói todos os nossos sonhos, tornando-nos “escravos” da vontade de Deus. No capítulo 1 – A Fábrica de Sonhos (ou a Teologia da Xuxa), o autor começa citando uma frase da música da Xuxa: “Tudo o que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar”. É incrível como isso é real no momento da Igreja brasileira. Muitos cristãos pensam assim, acreditando que Deus deve realizar seus desejos. Nosso coração é uma fábrica de sonhos, e usamos esses sonhos não para viver em harmonia com Deus, mas para satisfazer nossos próprios anseios.
O autor não desencoraja a fazer planos para a vida, mas enfatiza a necessidade de reconhecer o senhorio de Cristo, entendendo que somos servos submetidos a uma missão que afeta tudo o que somos e fazemos. Queremos ser como Moisés, Davi e Paulo, mas ninguém quer ser o “Zé da esquina”, desconhecido, que prega para cinco pessoas, sem holofotes, mas com Deus. Queremos os palcos e o reconhecimento, em vez do anonimato e de Cristo. O autor termina o capítulo afirmando que devemos declarar a falência dos nossos sonhos, planos e projetos permeados pela cultura do “eu”. No capítulo 2 – Crucificando Sonhos, Bibo demonstra como colocamos nossos desejos acima dos de Deus, como buscamos ter o ego inflado e aparecer, em vez de permitir que Ele apareça. Queremos que a nossa vontade seja feita, e não a de Deus. Não recebemos bênçãos para benefício próprio, mas para testemunhar. A verdade é que criamos um cristianismo customizado, como aponta o autor, no qual tudo se encaixa nas nossas vontades. Jesus Cristo morreu em nosso lugar não para que apenas nos sintamos bem, mas para que sejamos salvos e servos. Ele não morreu por causa de nossas frustrações, mas por causa do nosso pecado. A vida com Jesus é uma espécie de sentença de morte para o ego. Devemos sondar nossas intenções mais profundamente para perceber nosso desejo por aplausos. Precisamos mortificar o ego e nos submeter ao senhorio de Cristo, aceitando os desígnios d’Ele para nossa vida, mesmo quando vão contra a nossa vontade.
No capítulo 3 – Os Sonhos de um Discípulo, o autor aponta que ser discípulo de Jesus é submeter-se à sua disciplina, abandonando os ídolos do coração. Outro ponto é que não é a uniformidade na roupa ou no vocabulário que revela o verdadeiro discípulo. Bibo afirma que perdemos o real significado da cruz, que, antes de representar salvação, representava sofrimento. Ser discípulo tinha um custo alto: dor, renúncia e sacrifício. O discípulo de Cristo está submetido à disciplina cristã, enquanto aqueles que não o seguem apenas se encantam com suas palavras e buscam seus milagres. O discípulo cristão é aquele que abre mão de suas vontades para se submeter à mensagem de Jesus. Isso exige planejamento e rendição. Jesus não é um complemento de nossas vidas, mas o Senhor de nossos caminhos. O discipulado é um compromisso com Cristo e sua obra. Não basta ser religioso e seguir alguns mandamentos; é preciso se reduzir, a ponto de, se necessário, abandonar os próprios projetos e seguir em outra direção. Cristo não é um “tapa-buraco”. Ele não chama seguidores para acrescentar algo à vida deles, mas para escrever uma nova história em que Ele seja o centro.
Os discípulos de Jesus servem. No mundo, o poder escraviza; em Jesus, o poder serve para elevar o outro. O verdadeiro poder é aquele que se curva para ajudar. Devemos nos perguntar: como minha fé e meu trabalho convergem para a glória de Deus e o testemunho do evangelho? A vida é uma dádiva para ser compartilhada conforme Deus orienta. No capítulo 4 – Abrindo Mão dos Seus Sonhos para Viver a Vontade de Deus, o autor relaciona nossa condição de “servos” de Cristo com a de filhos de Deus. Ele argumenta que uma não anula a outra: como servos, somos submissos à vontade de Deus; como filhos, temos acesso a conhecê-la. Essa relação, que parece conflitante, é, na verdade, complementar. Já no capítulo 5 – Senhor, Qual a Sua Vontade para a Minha Vida?, há uma afirmação forte: ficar constantemente perguntando a vontade de Deus pode ser uma postura imatura, semelhante a práticas pagãs de tentar prever o futuro. O autor afirma que a vontade de Deus já foi revelada nas Escrituras, e buscar sinais constantemente pode indicar fuga do compromisso com a Palavra. Existe também uma glamorização do “propósito”, que nos faz acreditar que Deus tem algo exclusivo e extraordinário para cada pessoa. Isso pode atrapalhar a compreensão simples do chamado cristão: fé e obediência à Palavra. Nem todos são chamados ao reconhecimento; muitos são chamados ao anonimato e isso não é fracasso.
No capítulo 6 – A Oração que Destrói Sonhos, o autor discute nossa visão sobre a oração. Ele alerta que ela pode se tornar um conjunto de palavras mágicas dirigidas a um “gênio da lâmpada”. A oração deve ser um diálogo, um meio de buscar a presença de Deus, e não apenas suas bênçãos. Muitas vezes, oramos apenas para pedir, e não para nos relacionar com Deus. Nossas orações são centradas no “pedir” e pouco marcadas pela rendição à vontade divina. A prioridade da oração deve ser o próprio Deus. Ela precisa ter intimidade para chamá-lo de Pai e submissão para aceitar sua vontade. Bibo encerra o livro falando de um Deus “selvagem”, que não pode ser domesticado por nossas vontades. Deus age conforme deseja, não segundo nossos caprichos. Não podemos determinar o que Ele deve fazer nem quando, pois tudo ocorre segundo sua vontade. O Deus que destrói sonhos é o Deus que zela por seu nome e por seu povo, que não se agrada de projetos humanos movidos por ambição. Ele exige obediência e reverência. Dessa forma, fica claro que, para o verdadeiro discípulo de Jesus, não existe essa ideia de “viver seus sonhos” acima de tudo. O discípulo assume um compromisso que envolve negar sua própria vontade para viver a de Deus. Ser apaixonado por Deus, de forma bíblica, é obedecer aos seus mandamentos.
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