terça-feira, 3 de março de 2026

Resenha do Livro: Cartas de um Diabo a seu Aprendiz – C. S. Lewis

Sai do Mundão

Irônica, astuta, irreverente. Assim pode ser descrita esta obra prima de C.S. Lewis, dedicada a seu amigo J. R. R. Tolkien (escritor de “O Senhor dos Anéis”). Um clássico da literatura cristã, este retrato satírico da vida humana, feito pelo ponto de vista do diabo, tem divertido milhões de leitores desde a sua primeira publicação, na década de 1940. Cartas de um diabo a seu aprendiz é a correspondência ao mesmo tempo cômica, séria e original entre um diabo e seu sobrinho aprendiz. Revelando uma personalidade mais espirituosa, Lewis apresenta nesta obra a mais envolvente narrativa já escrita sobre tentações – e a superação delas. Já em seu prefacio Lewis já delimita dois erros da raça humana muito graves, mas diametralmente opostos quanto aos demônios: O primeiro erro é não acreditar na existência deles; já o segundo erro é acreditar que eles existem e sentir um interesse excessivo e doentio por eles. Também é lembrado que que o diabo é um mentiroso então nem tudo que o personagem principal da história falar pode ser levado como verdade.

Sai do Mundão
O livro começa com a primeira carta de Maldanado a seu sobrinho, um aprendiz de diabo. A obra é dividida em 31 cartas, que são aconselhamentos para esse jovem aprendiz, mas que, para nós, mostram um pouco da estratégia do inimigo contra as nossas vidas. Na carta, já temos um vislumbre dos planos do diabo para não deixar o ser humano ter um encontro com Deus. A estratégia é afundar o ser humano na “realidade”, para que ele não acredite no “impossível”. Maldanado adverte que, se eles argumentarem com o “Inimigo” (que é Cristo), irão perder. Então, a melhor maneira de convencer o homem é fazê-lo acreditar que é impossível crer no desconhecido quando o familiar está bem à sua frente. A estratégia apresentada é incutir no ser humano a banalidade das coisas. Maldanado conforta seu sobrinho, Vermelindo, pois um de seus “pacientes” virou cristão. O diabo apresenta a própria Igreja, mas fazendo uma separação clara entre a Igreja alicerçada na eternidade e a igreja na Terra, recheada de religiosidade. O conselho para Vermelindo investir na desunião do “corpo de Cristo” é claro: apontar falhas, criticar quem canta mal, quem desafinou, as roupas vestidas. Essas são estratégias apresentadas por Maldanado a seu sobrinho para fazer o ser humano acreditar que sua religião é ridícula. Em seu estágio atual, o paciente tem uma ideia de “cristãos” em sua mente que supõe ser espiritual, mas que, na verdade, é, em grande escala, ilusória. O diabo trabalha com a decepção ou com o anticlímax que certamente sobrevirá ao paciente nas suas primeiras semanas na igreja.

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O diabo trata da relação familiar de um homem com sua mãe, aconselhando a criar um hábito consistente de irritações mútuas e pequenas azucrinações diárias. Maldanado apresenta quatro métodos de grande ajuda, que são: manter a mente do homem focada na vida interior; tornar as orações inócuas; explorar tons de voz e expressões faciais que sejam insuportavelmente irritantes para o outro; ter dois pesos e duas medidas. Maldanado instrui seu sobrinho sobre o “doloroso” tema da oração. A estratégia do diabo é manter o ser humano longe de qualquer tentativa séria de oração. Ele deseja uma oração superficial, que se assemelhe à de alguém que está em um nível avançado de intimidade com Deus. A grande arma do diabo é que os humanos nunca conheceram a luminosidade e o resplendor penetrantes e intensos de Deus; em vez disso, têm em mente imagens derivadas de retratos de Cristo. Aquilo que o ser humano chamava de “Deus” era, na verdade, uma localização física: um crucifixo na parede, uma imagem de leão, mantendo o homem orando para isso e não para a Pessoa que o criou. Maldanado alerta seu sobrinho para que a recompensa de seus esforços não lhe suba à cabeça, já que os humanos europeus começaram outra guerra, e Vermelindo teve facilidade em atormentar e angustiar a alma humana. Maldanado alerta que, caso Vermelindo perca sua presa por puro comodismo, será condenado; mas, caso ganhe a alma dele, a terá para sempre. Vermelindo tem a missão de solapar a fé e impedir a formação de virtudes. Maldanado pede um relatório da guerra para que eles possam determinar para qual lado o paciente vai se tornar “um patriota extremo” ou um “pacifista militante”. Primeiro, ele deve pensar em como usar a guerra e depois se deleitar com ela, mas é preciso ter cuidado, pois, por meio da guerra, milhares poderiam se converter a Deus em meio à tribulação. Os humanos partidários de Deus foram instruídos por Ele a enxergar o sofrimento como parte essencial daquilo que Ele chama de redenção.

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Maldanado continua desenvolvendo sua estratégia em relação ao paciente de Vermelindo na guerra. A principal estratégia é deixá-lo em completo estado de incerteza, pois nada é mais eficaz do que o suspense e a ansiedade para bloquear a mente humana contra Deus. Deve-se garantir que o paciente pense nas coisas que o deixam temeroso. O diabo quer manter o ser humano em sua própria ignorância quanto à sua existência, fazendo-o cultuar o que chama vagamente de “Forças”, ao mesmo tempo em que nega a existência de “espíritos”. O fato de que os “demônios” são figuras predominantemente cômicas na imaginação moderna ajuda a mascarar sua existência. Todos os extremos, exceto a devoção extrema a Deus, devem ser encorajados. Maldanado quer que a Igreja permaneça pequena, não apenas para que menos pessoas conheçam a Deus, mas também para que aqueles que O conhecem adquiram a intensidade inquietante e o falso moralismo defensivo de uma sociedade secreta ou panelinha. Faça do patriotismo ou do pacifismo parte da religião; depois, sob a influência do espírito partidário, silenciosa e gradativamente, faça com que a religião se torne apenas parte da “causa”. Uma vez que se tenha feito do mundo um fim e da fé um meio, quase se terá conquistado o homem. Quanto mais “religiosos” forem os homens, mais seguramente o Inimigo terá o ser humano em suas mãos. Como espíritos, pertencem à eternidade; como animais, estão fadados à temporalidade. O ser humano vive de altos e baixos, de oscilações. Maldanado adverte que esses altos e baixos não são obras de seu sobrinho, mas fenômenos naturais, sem serventia se eles não souberem tirar vantagem disso. O objetivo de Maldanado é a absorção da vontade do ser humano na deles, o aumento da própria reserva de egoísmo à custa do homem. Deus deseja um mundo cheio de seres unidos a Ele, mas que ainda assim continuem distintos. As orações feitas em estado de aridez são as que mais agradam a Deus.

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Maldanado apresenta formas de aprisionar o homem quando ele está em baixa, primeiramente com a luxúria e a perversidade sexual, levando-o a perversões. Também incentiva a exploração de outros desejos da carne. O prazer, embora seja criação de Deus, deve ser levado ao exagero. O desejo de Maldanado é capturar a alma do homem sem dar nada em troca. Ele deve explorar os pensamentos do ser humano, mantendo o verdadeiro conhecimento fora da mente do paciente. Uma religião moderada é tão satisfatória para Vermelindo e Maldanado quanto nenhuma religião.Nosso Inimigo usará amizades para nos travar e tirará grande vantagem da vaidade social, intelectual e sexual do ser humano. O homem demorará a perceber que sua fé está em oposição direta ao que fundamenta suas conversas com amigos. Assumirá, primeiro por ações e depois por palavras, todo tipo de cinismo e ceticismo que não eram seus, mas que logo se tornarão. Maldanado apoia o uso do riso para tornar o ser humano petulante, pois levar tudo na piada pode disfarçar pecados. A estrada mais segura para o inferno é a gradativa. Não se deve permitir que o paciente perceba que está se afastando de Deus. Maldanado teme que seu sobrinho apresse o processo e faça o homem perceber sua condição. No fim, Maldanado se irrita porque seu sobrinho perdeu o paciente para Deus. Ele descreve a derrota total e o fracasso de seus planos. Suas palavras são ásperas, destacando o brilho da luz que os ofuscava. O livro termina com Maldanado repreendendo Vermelindo por sua derrota completa, reconhecendo que o paciente se tornou um verdadeiro cristão e foi definitivamente salvo.

É realmente intrigante ler um livro que foi escrito na década de 40 e, mesmo assim, trata de questões tão atuais e verdadeiras. Parece que C. S. Lewis o escreveu no ano passado, neste século ou até mesmo nesta década. Conseguimos enxergar verdades que estão acontecendo agora mesmo no Brasil e no mundo. A polarização política já foi abordada na obra muito antes dessa “moda” que surgiu em 2018.Dá para dizer que isso beira a genialidade do escritor ou, quem sabe, que o mundo permanece o mesmo mesmo depois de mais de 70 anos. Acho que Salomão estava certo quando disse: “não existe nada de novo debaixo do sol...”. Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz é um livro que todo cristão deveria ler e do qual deveria aprender, para entender as artimanhas do Inimigo e compreender melhor o tempo que estamos vivendo como Igreja. Foi uma verdadeira aula em cada página e em cada capítulo.

Sai do Mundão

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